Marcas de moda propõem contratos para substituir modelos por IA e reduzir custos em 90%
Documentos analisados pela Reuters revelam cláusulas que permitem a criação de réplicas digitais de profissionais sem remuneração adicional, gerando incerteza sobre os direitos de imagem no setor.
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Redução de custos e ameaça à profissão
Modelos de moda gerados por inteligência artificial permitem que marcas produzam imagens realistas para lojas on-line, reduzindo custos em 90% ou mais em comparação com sessões fotográficas tradicionais, segundo apuração da Reuters. Para a indústria da moda, a tecnologia representa uma ameaça direta à sobrevivência da profissão, uma vez que há poucas regras sobre quem pode ser dono de uma réplica digital de uma pessoa e como ela pode ser utilizada.
Cláusulas em contratos analisados
A Reuters entrevistou 15 diretores de agências e analisou mais de uma dúzia de contratos confidenciais de sessões fotográficas. Nos documentos, marcas como Diesel, Calvin Klein e L'Oréal apresentaram condições para alterar imagens com IA e definir seu uso futuro. Entre as exigências estavam o direito de trocar o rosto de um modelo pelo de outra pessoa, criar uma cópia digital do profissional sem pagar a mais e usar imagens do corpo para treinar sistemas de inteligência artificial.
Riscos de uso não remunerado
Os documentos, que ainda não foram assinados, continham cláusulas amplas que poderiam dar às marcas liberdade para usar a tecnologia de diferentes maneiras. Com isso, modelos correm o risco de ter suas imagens reproduzidas sem remuneração adicional ou de ser substituídos por versões inteiramente artificiais. Enquanto algumas empresas querem reaproveitar ou modificar imagens de modelos reais, outras recorrem a modelos gerados por IA que não reproduzem a aparência de pessoas reais.
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