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As ‘canetas emagrecedoras’ podem agravar os transtornos alimentares

Há evidências de que pessoas com o problema estão fazendo uso indevido de medicamentos para perda de peso.

Waesy
mittechreview.com.br
•08 de novembro de 2026•8 min de leitura•Fonte Verificada

Os medicamentos para perda de peso à base de GLP-1, conhecidos no Brasil como “canetas emagrecedoras”, representam um dos maiores avanços da biotecnologia da última década. Mas, para alguns psicólogos clínicos, eles podem representar algo mais preocupante: um possível gatilho para transtornos alimentares.

Um novo relatório sugere que a incidência global de anorexia e bulimia nervosas disparou entre 1990 e 2023, com um aumento impressionante de 71%. Em 2023, estimava-se que 18,1 milhões de pessoas viviam com um desses dois transtornos.

O que é ainda pior é que esse número provavelmente é muito maior quando levamos em consideração outros transtornos alimentares. E, de forma preocupante, profissionais da área já estão começando a observar que os medicamentos para perda de peso à base de GLP-1 estão agravando o problema.

Cheri Levinson é psicóloga clínica da Universidade de Louisville, no estado norte-americano de Kentucky, e se especializa em transtornos alimentares há quase 20 anos. Ela afirma que, atualmente, atende mais pacientes com sintomas mais graves do que em qualquer outro momento da carreira e que muitos deles fazem uso indevido de medicamentos GLP-1. “Esta é a pior situação que já presenciei”, afirma.

Os transtornos alimentares são condições de saúde mental nas quais os comportamentos alimentares das pessoas afetam a saúde. Entre eles estão a anorexia nervosa, caracterizada pelo medo de ganhar peso; a bulimia nervosa, na qual as pessoas apresentam episódios de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios para eliminar o que ingeriram; o transtorno de compulsão alimentar, entre outros.

Acredita-se que algumas pessoas tenham predisposição genética para determinados transtornos alimentares, mas que algum fator externo desencadeie o surgimento. Esse fator pode ser o estresse ou a pressão social para ser magro. Muitas vezes, a simples restrição da ingestão de alimentos pode desencadear um transtorno alimentar, afirma Levinson.

Os transtornos alimentares, assim como a pressão para ter uma aparência magra, já eram prevalentes na década de 1990, quando a estética “heroína chique” estava em alta. Para descobrir como a situação pode ter mudado desde então, Ruhai Bai, do Hospital Infantil da Universidade Médica de Nanjing, na China, e alguns colegas reuniram dados de estudos e pesquisas realizados com populações de todo o mundo. A equipe utilizou modelos estatísticos para preencher eventuais lacunas nos dados.

Fonte original: mittechreview.com.brVer notícia na íntegra
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