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Fuga de Flávio: Lula deve adiar aval a embaixador dos EUA e manter distância da Argentina

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Ivan Martínez-Vargas
•04 de novembro de 2026•8 min de leitura•Fonte Verificada
Fuga de Flávio: Lula deve adiar aval a embaixador dos EUA e manter distância da Argentina
Foto: Ivan Martínez-Vargas

Ivan Martínez-Vargas Repórter especial em Brasília

Publicado em 29 de outubro de 2026 às 18h08 .

Priorizar nos meus resultados Google O governo brasileiro ainda avalia se e como responder às suspeitas de que os governos da Argentina e dos Estados Unidos ajudaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência, a fugir do Brasil para Miami. Duas coisas, porém, são tidas como certas. O governo deverá protelar uma decisão sobre a concessão do agrément (aval) do Brasil a Daniel Pérez, indicado por Donald Trump para ser embaixador dos EUA aqui , e também descarta voltar a ter embaixador em Buenos Aires até que o caso seja esclarecido.

Apesar disso, a interpretação predominante no Palácio do Planalto é que a fuga de Flávio é vergonhosa para a oposição, e não para o governo Lula, especialmente após a repercussão negativa da carta golpista divulgada pelo senador na quarta-feira. A ordem no governo brasileiro, até o momento, portanto, segue sendo a de pautar as relações com a Argentina e com os Estados Unidos pelo pragmatismo e evitar cair no que um integrante do governo chama de provocações de Milei ou do Departamento de Estado americano para iniciar novas crises diplomáticas.

Um exemplo dessa postura é o fato de que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já está em Atlanta, nos Estados Unidos, onde vai participar de um encontro de chanceleres de países do G20. Lá, ele vai encontrar pessoalmente o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, tido pelo governo brasileiro como o principal promotor, na gestão de Trump, do tarifaço e das sanções contra autoridades brasileiras. Também deve ir ao encontro o chanceler argentino, Pablo Quirno. O Brasil não pediu, porém, reuniões bilaterais com nenhum dos dois.

Quanto ao governo americano, incomodou o governo Lula a notícia de que o funcionário de comunicação da Casa Branca Jason Miller teria auxiliado na logística da fuga de Flávio Bolsonaro a Miami. A suposta participação foi revelada nesta quinta-feira pelo jornal The New York Times. Ainda assim, um integrante do governo brasileiro afirma que, embora absurda, a participação não chega a surpreender, pois Miller é próximo da família Bolsonaro e tido como radical de extrema direita.

Apesar do incômodo, a ordem ainda é manter espaço para a negociação de pautas econômicas concretas, como as tratativas com o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) para um acordo comercial que coloque fim ao tarifaço imposto a exportações brasileiras. Como a EXAME noticiou, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aguarda, até a próxima semana, um documento do USTR com diretrizes tarifárias e não tarifárias para a retomada das negociações comerciais.

Fonte original: Ivan Martínez-VargasVer notícia na íntegra
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