Editoriais de WSJ e Washington Post criticam ações do STF contra Flávio Bolsonaro
Publicações dos EUA apontam risco ao Estado de Direito e descrevem apreensão de passaporte como motivação para saída do país

Posicionamento da imprensa norte-americana
O Wall Street Journal e o Washington Post, dois dos jornais mais influentes dos Estados Unidos, publicaram editoriais nesta semana repreendendo o que denominaram de “perseguição” do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro. O texto do Wall Street Journal, publicado na noite de ontem, afirma que a sobrevivência do Estado de Direito está em risco no Brasil após a derrota eleitoral do grupo político de Bolsonaro.
Argumentos sobre a apreensão do passaporte
Segundo o conselho editorial do Journal, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ordenou a entrega do passaporte de Flávio Bolsonaro minutos após a vitória nas urnas. O editorial cita que o ministro Alexandre de Moraes, descrito no texto como aliado de Lula, autorizou o pedido da Polícia Federal para a apreensão dos documentos. De acordo com a publicação, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil secretamente na terça-feira e chegou a Miami na quarta-feira, com a família tendo recebido vistos dos Estados Unidos, o que o jornal classifica como uma oferta justificável de proteção política.
O Wall Street Journal defende que a proteção é necessária porque Flávio Bolsonaro não foi formalmente acusado de nenhum crime, mas acredita que não teria um julgamento justo caso fosse processado. O editorial cita declarações de Lula durante um debate eleitoral, em que o presidente afirmou que, assim que Bolsonaro perdesse a imunidade parlamentar, enfrentaria investigações. O texto acrescenta que a competência para processar políticos reside na Procuradoria-Geral da República (PGR), mas critica o ministro Moraes por ampliar sua jurisdição em situações que, segundo os editorialistas, beneficiam seus objetivos políticos.
O Wall Street Journal é conhecido por sua linha editorial conservadora, mas tem se posicionado como crítico de abusos de poder, incluindo os do ex-presidente Donald Trump. A publicação, controlada pela News Corp, de Rupert Murdoch, enfatiza a expectativa de magnanimidade política entre vencedores e derrotados, contrastando essa norma com as ações judiciais tomadas no Brasil contra a oposição.
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