Brasil vota com margem de 1,87 ponto; histórico aponta tensão institucional em eleições apertadas
Desde 1989, apenas três disputas presidenciais tiveram diferença inferior a 7 pontos, com 2022 registrando a menor margem da era democrática.
Mais de 150 milhões de brasileiros estão aptos a votar neste domingo para escolher entre Flávio Bolsonaro e Lula. De acordo com as pesquisas mais recentes, a diferença entre os candidatos cabe na margem de erro, configurando um cenário de alta competitividade para o segundo turno.
Histórico de margens estreitas
Dados históricos indicam que, desde 1989, apenas três das nove eleições presidenciais brasileiras tiveram diferença abaixo de 7 pontos percentuais. A disputa mais acirrada ocorreu em 2022, com uma margem de 1,8 ponto (50,90% a 49,10%), equivalente a 2.139.645 votos. As outras duas ocasiões foram em 2014, com 3,28 pontos de diferença, e em 1989, com 6,06 pontos.
Abstenção e votos nulos
No primeiro turno deste ano, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, resultando em uma diferença de 1,87 ponto. O comparecimento às urnas foi de 78,92%, o que significa que aproximadamente 30 milhões de eleitores não votaram, um número superior à diferença entre os dois candidatos. Em 2022, os votos brancos e nulos somaram 5,7 milhões, superando a margem de vitória do presidente eleito.
Precedentes internacionais
A história eleitoral global registra casos de definições por margens mínimas. Nos Estados Unidos, em 2000, George W. Bush venceu na Flórida por 537 votos em quase 6 milhões, garantindo a Presidência pelo Colégio Eleitoral, mesmo com Al Gore tendo mais de 540 mil votos a mais no total nacional. O processo levou 36 dias, com recontagens e decisão da Suprema Corte, culminando na Lei Help America Vote Act de 2002, que financiou a modernização das urnas.
Em 2020, nos EUA, Joe Biden fechou o Colégio Eleitoral com margens de 11.779 votos na Geórgia, 10.457 no Arizona e 20.682 em Wisconsin, totalizando cerca de 43 mil votos nos três estados decisivos. No Peru, em 2021, Pedro Castillo venceu Keiko Fujimori por 44.263 votos (50,13% do total). A candidata derrotada alegou fraude, acusações rejeitadas pelas autoridades eleitorais, e a proclamação do resultado ocorreu semanas após a votação, em meio a manifestações e tensão social no mês de junho.
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