Prefeitura de SP adota biometria facial para acesso ao Smart Sampa após vazamento de credenciais
Medida atinge Guarda Civil e Ministério Público; ANPD e Idec cobram auditoria independente sobre a segurança da rede de 58 mil câmeras.
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Nova exigência de acesso
A Prefeitura de São Paulo implementou a obrigatoriedade do reconhecimento facial para profissionais autorizados a consultar o sistema Smart Sampa. A medida foi anunciada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) na terça-feira (27), uma semana após a divulgação de um vazamento de credenciais da plataforma de vigilância. Segundo a gestão municipal, a autenticação biométrica passou a valer imediatamente para agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e para os nove promotores de justiça que utilizam a ferramenta por meio de parceria com o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Escopo da rede de vigilância
O Smart Sampa integra uma rede com mais de 58 mil câmeras, incluindo equipamentos públicos e privados instalados em creches, escolas, unidades de saúde e centros de atendimento a dependentes químicos. A plataforma utiliza algoritmos para identificar placas de veículos e cruzar rostos com bases de dados de foragidos e desaparecidos. A reportagem do Canaltech confirmou o acesso em tempo real às imagens, acompanhando a própria filmagem em oito câmeras de totens privados localizados nos Campos Elíseos, no centro da capital.
Investigação interna e resposta oficial
O prefeito Ricardo Nunes negou que tenha ocorrido uma invasão externa ou falha de segurança na arquitetura do sistema. A administração municipal atribuiu o episódio ao compartilhamento ilegal de dados por um guarda municipal, que foi identificado e afastado de suas funções. A conduta do servidor é investigada pela Corregedoria da GCM. Paralelamente, o MPSP registrou uma Notícia de Fato para analisar os indícios apresentados, procedimento preliminar que pode levar à instauração de um inquérito civil.
Fiscalização e críticas
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foi acionada por onze organizações da sociedade civil, que pediram a apuração das responsabilidades da Prefeitura e da Sentinelx, empresa responsável pela tecnologia do programa. Segundo o UOL, a agência federal cobrou esclarecimentos da administração municipal com prazo de cinco dias. O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) argumentou que a responsabilização de um funcionário não dispensa a avaliação dos controles de proteção, cobrando uma auditoria independente para demonstrar como o sistema impede que credenciais expostas permitam o acesso a informações sigilosas.
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