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O que cabe na vitória? Uma carta ao Presidente

No último domingo o senhor foi reeleito para seu quarto mandato, com 51,78% dos votos válidos. Escrevo como cidadão, pai e avô, para cumprimentá-lo e também por estar preocupado com o clima de divisão que tomou conta do País.

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Guilherme Amaral Ferraz
•01 de novembro de 2026•6 min de leitura•Fonte Verificada
O que cabe na vitória? Uma carta ao Presidente
Foto: Guilherme Amaral Ferraz

Não escrevo para comemorar nem para lamentar o resultado. Escrevo porque as urnas deixaram um recado que, nas últimas duas eleições, não foi ouvido. E acredito que agora ele precisa ser.

Esta foi a terceira eleição presidencial seguida em que a rejeição foi a vencedora. Em 2018, o antipetismo levou Jair Bolsonaro à Presidência. Em 2022, o antibolsonarismo trouxe o senhor de volta, com 50,9% dos votos válidos.

Agora, em 2026, a disputa terminou de novo apertada, com uma diferença de apenas 4,4 milhões de votos, em um universo de quase 160 milhões de eleitores.

As pesquisas mostraram isso com clareza. No fim de setembro, o Datafolha registrava que 45% dos eleitores não votariam no senhor, exatamente a mesma proporção que rejeitava seu adversário.

Na mesma época, 18% dos seus eleitores e 35% dos eleitores de Flávio Bolsonaro diziam votar principalmente para impedir a vitória do outro.

Em outras palavras: muitos dos votos que o elegeram não foram um sim ao seu projeto. Foram um não ao projeto do adversário.

Em 2018 e 2022, os vencedores não prestaram atenção a isso. Não entenderam que o voto decisivo não tinha sido dado a eles, mas contra o oponente. Leram a vitória somente como aprovação, quando ela era, em grande parte, fruto da rejeição ao adversário.

Fonte original: Guilherme Amaral FerrazVer notícia na íntegra
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