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Estudo da UFV projeta perda de 121 milhões de toneladas de soja sem controle de pragas

Simulação indica que a ausência de manejo fitossanitário elevaria o preço do grão em até 49% e impactaria o IPCA em 0,26 ponto porcentual

Waesy
Redação Digital
•27 de outubro de 2026•3 min de leitura•Fonte Verificada
Estudo da UFV projeta perda de 121 milhões de toneladas de soja sem controle de pragas
Foto: Redação Digital

Um estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG), desenvolvido em cooperação técnico-científica com a CropLife Brasil, simulou um cenário de ausência total de controle de pragas, doenças e plantas daninhas na sojicultura. O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (23) em São Paulo, indica uma perda média de 121,3 milhões de toneladas, com um impacto econômico estimado em R$ 223,5 bilhões e uma alta potencial de até 49% no preço da soja.

Impacto na inflação e oferta

Segundo os dados da pesquisa, a redução da oferta em relação à produção potencial pode chegar a cerca de 65% nos principais estados avaliados. O modelo econômico projeta que esse cenário contribuiria com aproximadamente 0,26 ponto porcentual para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Emerson Del Ponte, docente da UFV e doutor em Fitopatologia, explicou que a metodologia converteu perdas de produtividade em quebra de oferta, utilizando elasticidades calibradas com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

Repasse para alimentos

Os cálculos do estudo apontam que uma elevação de 10% no preço da soja resultaria em aumentos de 4,6% no óleo de soja, 1,7% no leite e 1,1% nos ovos. A pesquisa destaca que a soja é matéria-prima do óleo e que o farelo é utilizado na alimentação animal, estabelecendo uma conexão direta entre o preço do grão e os custos de produção de leite, ovos e carnes.

Demanda por terra e simulações

Para repor o volume perdido no cenário sem controle, seriam necessários 33,5 milhões de hectares adicionais, considerando a produtividade média de referência. Foram realizadas 10 mil simulações por estado, comparando a ausência de controle, o controle parcial e o controle ótimo. No controle parcial, as medidas reduziriam em 40% os danos estimados, enquanto no controle ótimo a redução considerada é de 80%. Com esses parâmetros, a perda média simulada cai para 72,8 milhões de toneladas no controle parcial e para 24,3 milhões de toneladas no controle ótimo.

A parceria entre a UFV e a CropLife Brasil, formalizada em setembro de 2025, prevê a realização de estudos sobre outras culturas de importância para a agricultura brasileira. No levantamento específico sobre a soja, o cenário extremo foi utilizado para dimensionar os efeitos produtivos e econômicos associados ao manejo fitossanitário.

Fonte original: Redação DigitalVer notícia na íntegra
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