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Estudo da Embrapa e USP reduz em 60% sintomas de fungo no trigo

Bactérias benéficas reorganizam a comunidade microbiana do solo para fortalecer a resistência natural das plantas, diminuindo a necessidade de fungicidas químicos.

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Camila Machado
•28 de outubro de 2026•2 min de leitura•Fonte Verificada
Estudo da Embrapa e USP reduz em 60% sintomas de fungo no trigo
Foto: Camila Machado

Um estudo conduzido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que o uso de bactérias benéficas reduz em aproximadamente 60% a severidade de doenças causadas pelo fungo Bipolaris sorokiniana em plantas de trigo. Os resultados foram obtidos em experimentos realizados em condições controladas, segundo as instituições.

Mecanismo de ação

De acordo com a Embrapa, o diferencial da pesquisa reside na forma como o controle é exercido. Em vez de eliminar diretamente o fungo causador da doença, os microrganismos reorganizam a comunidade microbiana que vive ao redor das raízes. Esse processo restaura funções ecológicas do solo que favorecem a resistência natural das plantas.

Patógeno e impacto econômico

O estudo, coordenado pelo pesquisador Rodrigo Mendes, da Embrapa Meio Ambiente, investigou a interferência de três bactérias na interação entre o trigo e o Bipolaris sorokiniana. O patógeno é considerado de alta importância econômica para a cultura, especialmente em regiões de clima quente ou sujeitas à deficiência hídrica, e é responsável por doenças como mancha-marrom, podridão radicular, podridão da coroa, queima de plântulas e black point.

Caroline Nishisaka, pesquisadora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP), explicou que os inoculantes bacterianos remodelam as comunidades microbianas do solo e reforçam os mecanismos naturais de resistência das plantas. Todas as três bactérias estudadas apresentaram características relevantes para uso agrícola, incluindo a capacidade de estimular o crescimento das plantas e aumentar a disponibilidade de fósforo.

Resultados experimentais

Para testar o efeito, os pesquisadores compararam plantas expostas apenas ao fungo com outras que receberam as bactérias benéficas. Nesse segundo grupo, a severidade da doença foi menor. Um dos resultados mais relevantes foi a redução da doença mesmo quando a população do fungo permaneceu estável ou aumentou em alguns tratamentos, indicando que a eficácia não depende da eliminação total do patógeno.

Fonte original: Camila MachadoVer notícia na íntegra
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