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Estudo aponta disparidade racial e de gênero no uso de IA por jovens no Brasil

Pesquisa do Instituto Leapy revela que 70% dos jovens brancos usam a tecnologia diariamente, contra 55% dos negros, e que o custo de assinaturas é a principal barreira para o aprofundamento do aprendizado.

Waesy
Rafael Farinaccio
•01 de novembro de 2026•3 min de leitura•Fonte Verificada
Estudo aponta disparidade racial e de gênero no uso de IA por jovens no Brasil
Foto: Rafael Farinaccio

Desigualdade no acesso

O levantamento “Panorama: jovens e IA”, realizado pelo Instituto Leapy com 329 pessoas entre 18 e 22 anos, identifica barreiras estruturais no uso da inteligência artificial no Brasil. Segundo o estudo, 70% dos jovens brancos utilizam a tecnologia diariamente, enquanto o índice entre os negros é de 55%. Rodrigo Santos, psicólogo e professor da Leapy, afirma que, sem políticas de inclusão, a valorização financeira da IA pode concentrar renda e restringir o acesso da população negra a cargos mais bem remunerados.

Custo como obstáculo

O principal impedimento para o aprofundamento do aprendizado não é a falta de tempo ou equipamentos, mas o fator econômico. Para 42% dos entrevistados, e para 51,2% dos usuários diários, o custo das assinaturas pagas de versões avançadas é a maior barreira para evoluir no uso da ferramenta, segundo os dados apurados pela pesquisa.

Disparidade de gênero

No recorte de gênero, a frequência de uso diário é próxima, com 60,6% entre mulheres e 67% entre homens. No entanto, há uma discrepância no nível de complexidade das tarefas: 58,4% dos homens utilizam a IA para tarefas técnicas avançadas, como programação, enquanto apenas 26,6% das mulheres aplicam a ferramenta para essa finalidade. A insegurança também pesa, com mulheres apresentando 2,6 vezes mais medo de usar a IA de forma incorreta do que os homens.

Essa disparidade reflete barreiras históricas no setor de tecnologia, onde as mulheres representam apenas 19% dos especialistas, segundo dados da Softex citados no relatório. Apesar dos obstáculos, a juventude demonstra otimismo em relação à tecnologia na carreira. Apenas 5% dos entrevistados acreditam na eliminação em massa de vagas de entrada nos próximos cinco anos, enquanto 80% projetam transformações positivas no trabalho.

Além da produtividade, a ferramenta assumiu um papel de suporte social: 18% dos jovens usam a IA para desabafar, buscar conselhos ou companhia. No ambiente acadêmico, 83% utilizam a IA para estudar e compreender matérias escolares ou universitárias. O relatório reforça que a democratização da inteligência artificial precisa entrar na agenda corporativa e de recursos humanos.

Fonte original: Rafael FarinaccioVer notícia na íntegra
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