Cúpula Rússia-África em Moscou foca em fertilizantes; Brasil, principal importador, monitora Estreito de Ormuz
Encontro busca fortalecer laços de Moscou com o continente africano em meio a tensões globais, enquanto o mercado de adubos e a navegação internacional são impactados por conflitos.
A terceira cúpula Rússia-África, realizada em Moscou nos dias 28 e 29 de outubro, reuniu o presidente Vladimir Putin e 22 chefes de Estado ou governo africanos. O encontro teve como pauta central discussões sobre alimentos, recursos, fertilizantes e tecnologia, em um movimento do Kremlin para demonstrar que a Rússia não está isolada no cenário global, conforme informou o assessor Yuri Ushakov.
O objetivo da cúpula, que contou com a presença de 48 dos 54 países africanos, é fortalecer os laços de Moscou com o continente. No entanto, os resultados concretos de cúpulas anteriores foram modestos; em 2019, a Rússia prometeu dobrar o comércio com a África em cinco anos, mas em 2023 ele permanecia em cerca de US$ 18 bilhões, segundo reportagem da Al Jazeera. Líderes africanos, como o presidente de Gana, John Mahama, também aproveitaram a ocasião para defender um cessar-fogo na Ucrânia e exigir investimentos justos, sem alinhamento político.
Os fertilizantes emergem como um instrumento chave na política externa russa, especialmente após a promessa de Putin, em 2023, de fornecer grãos gratuitos a seis nações africanas. O Brasil, um dos maiores compradores de adubo russo, observa atentamente o cenário. Com o plantio da safra 2026/27 em andamento no Centro-Sul, produtores brasileiros de soja e milho monitoram tanto os desdobramentos em Moscou quanto a situação geopolítica global que afeta o fornecimento de insumos.
Tensões no Estreito de Ormuz
A atenção brasileira se estende ao Estreito de Ormuz, cuja navegação é influenciada pelas tensões entre Teerã e Washington. A guerra na região do Golfo, que completa oito meses, elevou o preço do Brent para cerca de US$ 115, comparado a US$ 72 antes do conflito. Nesta semana, o chefe das Forças Armadas iraniano declarou o estreito fechado a navios que não sigam as regras de Teerã, enquanto os Estados Unidos afirmam ter controle total da passagem. Dados de tráfego divergem, e negociações mediadas por Arábia Saudita, Turquia e Paquistão seguem em curso.
Leia Também
:format(webp))
Por que Ivete Sangalo adiou show em São Paulo? Veja nova data
:format(webp))
Gelateria paraense Damazônia projeta salto de 15 para 100 lojas até 2030 via franquias
:format(webp))
Christine Lagarde anuncia saída antecipada da presidência do Banco Central Europeu


