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Brasil pode importar até 10 milhões de toneladas de trigo em 2027, aponta setor

Queda de 37% na produção nacional e redução da qualidade do cereal elevam a dependência externa e pressionam a capacidade portuária do país.

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Vitória Rosendo
•28 de outubro de 2026•2 min de leitura•Fonte Verificada
Brasil pode importar até 10 milhões de toneladas de trigo em 2027, aponta setor
Foto: Vitória Rosendo

Projeção de importação

O Brasil deverá importar entre 9,5 milhões e 10 milhões de toneladas de trigo em 2027, segundo estimativa de Tito Marquetti Martinho, diretor sênior de Originação e Trading de Trigo da Bunge Alimentos. A previsão foi apresentada durante a 33ª edição do Congresso Internacional da Indústria do Trigo, realizado no Rio de Janeiro (RJ), promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

Redução da oferta doméstica

A dependência do mercado externo aumenta devido à queda na produção interna. A produção nacional está estimada em 5,12 milhões de toneladas, representando um recuo de 37% em relação ao período de referência apresentado pelos especialistas. Esse volume atende a cerca de 36% do consumo brasileiro, exigindo maior aquisição externa para fechar o abastecimento.

Qualidade e capacidade portuária

Além do volume, a qualidade do cereal é um fator crítico. Em São Paulo, a estimativa é de que apenas 70 mil a 80 mil toneladas da produção correspondam ao Tipo 1. No Paraná, onde cerca de 70% da colheita havia sido realizada no momento da análise, o volume de trigo Tipo 1 foi estimado em 500 mil a 600 mil toneladas. Segundo a Bunge, a combinação de menor volume e pior qualidade deve testar a capacidade portuária brasileira.

Impacto regional e fornecedores

A redução da oferta altera o papel tradicional dos estados do Sul no abastecimento. O Paraná passa de um excedente de 100 mil toneladas para um déficit de 1,85 milhão de toneladas. No Rio Grande do Sul, o excedente estimado em 4,07 milhões de toneladas se aproxima do equilíbrio entre oferta e demanda. A Argentina permanecerá como principal fornecedora, enquanto o conflito na região do Mar Negro continua como fator de incerteza global, segundo Elcio Bento, especialista em mercado de trigo.

Fonte original: Vitória RosendoVer notícia na íntegra
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