Aplicativos de IA para terapia avançam no Brasil, mas aguardam financiamento público
Estudos apontam que quase 10% dos brasileiros já usaram chatbots como terapia, enquanto projetos como o Conemo esperam recursos federais para integrar ao SUS
Cientistas brasileiros estão aprimorando aplicativos de inteligência artificial para oferecer terapia via SUS, após testes indicarem eficácia no tratamento de depressão; o desenvolvimento envolve pesquisadores da USP e do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental, e os resultados foram divulgados em 2026.
Demanda e uso de chatbots
De acordo com o Panorama da Saúde Mental 2026, do Instituto Cactus com a AtlasIntel, 9,1% da população brasileira já utilizou chatbots como terapeuta e 15% recorreu à IA em situações de crise; a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 indica que cerca de 11% dos adultos apresentam sintomas de depressão que exigiriam acompanhamento, o que corresponde a mais de 15 milhões de pessoas, e apenas um quarto recebe algum tipo de cuidado, segundo o psiquiatra Paulo Rossi Menezes.
Projeto Conemo e perspectivas de financiamento
O aplicativo Conemo, desenvolvido ao longo de 15 anos por equipe liderada por pesquisadores da USP, já opera em unidades básicas de saúde, mas sua expansão para a rede pública depende de financiamento federal ainda não aprovado; a psicóloga Andrea Jotta, do laboratório Janus da PUC‑SP, classifica as ferramentas digitais de saúde mental em três categorias, destacando que chatbots de respostas programadas fornecem exercícios de respiração e técnicas de terapia cognitivo‑comportamental.
Experiência internacional
Na Alemanha, país que paga por aplicativos prescritos por médicos, as autoridades ainda avaliam os benefícios e a adesão dos usuários, indicando que a eficácia dos apps de terapia requer evidências adicionais.
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